Cuidados com a alimentação na gravidez

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Cuidados com a alimentação na gravidez

Isabela Trindade Reis Siqueira

Por Daniel Ottoni

Especialistas e gestantes relatam experiências e orientam para uma gravidez saudável e equilibrada

Para a espera desejada de um herdeiro nada melhor do que uma gravidez saudável e bem controlada. Durante a gestação, o controle permanente da alimentação é essencial, através da ingestão de legumes, frutas e verduras. “Eu não tinha o hábito de almoçar e agora sou ‘obrigada’ a realizar essa refeição”, afirma a bancária Flávia Silveira, de 37 anos. Casada há um ano e nove meses, ela espera Laura, sua primeira filha. “Além do almoço, como frutas, no mínimo três vezes por dia’, conta.

Flávia procura evitar o consumo de açúcar, ingerindo refrigerantes sem aditivos. “Tenho caso de diabetes na família. Então, o melhor é ter bom senso”, explica. Faltando três meses para a chegada de Laura, Flávia diz que não teve grandes transtornos durante a gravidez, além de “mais fome e sono”. O equilíbrio e cuidado na alimentação mantiveram a gravidez sempre saudável, dentro do esperado. “Tenho engordado um quilo e meio por mês, dentro da média prevista”, comemora.

A mudança nos hábitos alimentares é aconselhada antes mesmo do início da gestação. É o que informa o ginecologista e obstetra Walter Barbosa. Ele adianta que “já na fase de planejamento da gestação é importante corrigir distorções dos hábitos alimentares e iniciar a suplementação de determinados nutrientes”, diz ele. “Toda futura mãe consumir suplementos de uma vitamina (ácido fólico) desde o período de tentativa de engravidar até o fim do terceiro mês de gestação, para diminuir o risco de anomalias na formação do sistema nervoso central do feto”, recomenda o especialista.

As gestantes devem evitar o excesso de gorduras e açúcar e procurar consumir proteínas, verduras e legumes, mas não devem iniciar uma dieta nesse período. “Fazer regime durante a gestação e amamentação pode trazer prejuízos para a evolução da gravidez e a saúde do bebê”, diz o obstetra.

Já a pedagoga Isabela Trindade Reis Siqueira, mãe recente, ressalta que os cuidados com a alimentação são fundamentais não só para o bebê, mas também para a mãe. “Tive que cortar muitos alimentos em função da gastrite durante a gravidez, como molhos vermelhos, creme de leite e chocolate”. Isabela conta, ainda, que hábitos foram mantidos a partir da gravidez. “Passei a me preocupar mais com a alimentação, buscando produtos mais saudáveis”. Ela destaca que com o nascimento de seu filho, Alexandre, o cuidado para uma alimentação saudável permaneceu. “Me preocupo muito com a alimentação de meu filho, sempre diversificando nas frutas, legumes, verduras e cereais”.

Gestação
Os três primeiros meses de gestação são fundamentais para o bom desenvolvimento do bebê. Para a futura mamãe é uma fase caracterizada pelos enjôos, que podem ser aliviados com alguns truques: não ficar com o estômago vazio e comer pequenas porções de carboidratos leves ao longo do dia.
Já no segundo trimestre, a disposição aumenta, as papilas gustativas voltam a funcionar e os desconfortos alimentares são aliviados. O terceiro trimestre é marcado por sensações de “empachamento” com refeições mais volumosas e azia. “É hora de voltar a comer pouco de cada vez e mais frequentemente. É também importante não ingerir muito líquido nas refeições principais e só se deitar 90 minutos depois de se alimentar”, recomenda ele.

Para a nutricionista Carolina Bortoletto, no primeiro trimestre, as futuras mamães devem evitar tudo que possa ser prejudicial ao feto, como bebidas alcoólicas, os embutidos (pela presença de nitrato), alguns peixes (como o espada, por conter mercúrio em excesso) e qualquer tipo de adoçante. “O ideal é se alimentar de três em três horas, com a ingestão de pelo menos dois litros de líquidos diariamente, podendo abusar dos sucos de frutas”, orienta a nutricionista.

Amamentação

Após o nascimento, a rotina alimentar não deve sofrer muitas alterações e deve ser a mesma dos últimos meses de gravidez. “Os médicos me informaram que sopa de galinha, o ferro obtido através da beterraba e da cenoura, derivados do leite, salada, um almoço com arroz, feijão e carne e muita água mineral ajudam bastante na produção do leite”, lembra a estudante de Jornalismo Patrícia Belo, de 22 anos, mãe de Luísa Salviano, de quatro meses de idade.

A pedagoga Isabela alerta que a mãe deve ficar atenta no período de amamentação, pois o leite é o único alimento do bebê. “Foi preciso ter cuidados e evitar alguns alimentos para que meu filho não tivesse cólica”.

Quem amamenta pode precisar ingerir 200 a 500 calorias a mais por dia e cerca de 70g de proteína. Como os cuidados do recém-nascido podem dificultar o preparo de refeições mais completas, os lanches se tornam muito importantes, um sanduíche de pão integral com queijo e salada pode substituir, à altura, uma boa refeição.