
O pai de “O filho eterno”
O premiado escritor brasileiro Cristovão Tezza é o convidado deste mês para entrar Na Cozinha com o Gourmet Virtual. Autor do premiado “O filho eterno”, Tezza fala no livro de sua relação com o filho portador da Síndrome de Down. “O sucesso desse livro acabou mudando bastante minha vida. Acabo de pedir demissão da Universidade para me dedicar apenas a escrever, um velho sonho meu. E quero viver daqui para frente uma vida mais tranquila e devagar”.
Tezza revela que está terminando um novo romance,cujo título é “Um erro emocional”, que foi escrito ao longo de dois anos e deverá ser lançado em outubro pela Editora Record.
Tezza destaca que se há alguma coisa fundamental na nossa vida é a alimentação, por ser o traço mais radicalmente comum da condição humana. E conclui que, assim como arte, a gastronomia é a sofisticação dessa necessidade básica. O escritor fala também sobre a relação da gastronomia com a literatura. “Personagens são figuras sociais que também se alimentam! A imagem mais imediata que me ocorre é a da dona Flor, de Jorge Amado. E sua Gabriela também se define pela culinária: cravo e canela. Basta ler ficção que iremos encontrar gastronomia em toda página.”
Ao comentar que sabe se virar na cozinha, o escritor conta que o interesse surgiu de uma necessidade. Em 1984, quando foi morar sozinho em Florianópolis, para lecionar na UFSC. Cansado de bandejão, resolveu aprender a cozinhar, com orientação de sua esposa Beth, que havia ficado com os filhos em Curitiba. “Comecei com o arroz branco (tipo agulhinha – não gosto do arroz parbolizado), depois fui para a carne moída de panela, depois maminha de forno, coisas básicas”.
Das páginas e palavras para pratos e panelas. Conheça agora as predileções gastronômicas de Cristovão Tezza.
Criança – Polenta na tábua (cortada com um barbante!), com bisteca de porco, aos sábados.
Amigos –Gosto de comer peixe em restaurantes.
Café da manhã – Leite e granola, banana e mamão. E café preto. E mais nada. Não gosto de pão ou de comida salgada de manhã.
Madrugada – Jamais me alimento de madrugada. Só bebo água!
Restaurante – Aqui em Curitiba, vou a muitos restaurantes de frutos do mar – e sempre peço côngrio à belle meunière.
Dia-a-dia – Arroz, e algum tipo de carne ou peixe.
Só amarrado – Com o tempo, fui perdendo minhas manias. Hoje gosto de quase tudo. Não gosto muito de peixe cru, mas posso comer sem problemas.
Tradição – Feijão preto.
Copo – Cerveja. É minha única bebida alcoólica, na verdade.
Sonho – Tentar fazer um prato diferente aqui em casa, para meus amigos, e dar certo.
Trabalhando – Escrevo todas as manhãs e a única coisa que consumo é café preto, com açúcar. Muito!
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