Confrarias e clubes de gastronomia

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Confrarias e clubes de gastronomia

Clube da Cozinha de Araxá

Reunindo as panelas e taças

Há muito a cozinha é considerado o cômodo preferido da casa. É lá onde, em família, tudo acontece. De um simples café com pão na chapa do fogão à lenha, quando o calor do fogo serve para aquecer os dias frios. É ainda um lugar de todos os assuntos, discussões, desavenças familiares, mas também de muitas alegrias. Esse conceito também tem sido vivenciado por pessoas que se reúnem em torno de uma temática gastronômica. São as chamadas confrarias, clubes e grupos de amigos que se juntam para compartilhar culturas da gastronomia no ambiente de uma cozinha.

O Clube da Cozinha de Araxá é um exemplo, pois foi da idéia do gourmet Fernando Braga, de reunir amigos e compadres para divulgar a culinária local, que no início dos anos 90 surgiu o clube. Atualmente, com vinte integrantes, eles participam de festivais gastronômicos e workshops no Brasil inteiro.  Segundo Juninho Lemos, diretor do clube há dois anos, houve época em que contavam com dezenas de sócios. Contudo, hoje a seleção é criteriosa, pois estão em busca de uma cozinha mais elaborada. Para ser se associar, a diretoria analisa a lista de espera e escolhe um novo membro, desde que um dos integrantes esteja deixando o grupo.

O Clube realiza reuniões mensais, quando quatro associados preparam um jantar para os demais sócios e seus convidados. “Para quem gosta de culinária é um prato cheio, pois nossas reuniões acontecem em uma cozinha profissional do Senac, onde tem sempre um profissional da entidade acompanhando, além de chefs de outras localidades”, completa Lemos.

O Clube da Cozinha de Araxá já é reconhecido em eventos gastronômicos, como o Festival Destrincho do Porco e o Velório do Boi. O primeiro é um festival de comida típica, preparada em grandes tachos de cobre, com vários cortes de carne suína cozinhados na sua própria gordura, lentamente sobre fogo de lenha. Já no Velório do Boi, um boi inteiro é espetado e assado durante 24h. O momento reúne curiosos em torno do animal que é velado pela noite toda, ao embalo dos contadores de causos e uma tradicional cachaça.
As mulheres também tem se incorporado à cultura gastronômica como algo prazeroso para valorizar a convivência. É o caso da Confece, Confraria Feminina da Cerveja em Belo Horizonte. A Confraria foi criada no dia 08 de março de 2007, numa degustação em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Desde então, por sugestão do proprietário da casa, as confreiras passaram a se reunir mensalmente resgatando uma longa tradição: o envolvimento feminino na cultura cervejeira. “Os dois primeiros encontros foram conduzidos pela beer sommelier Cilene Saorin, que veio especialmente de São Paulo para aguçar os paladares mineiros”, conta a confreira Juliana Pimenta.

Encantadas pelas novas descobertas e pelo enorme universo que se abria, as mulheres se organizaram e criam um estatuto que regulamenta o ingresso de novas integrantes e estabelece os projetos do grupo. “Nosso objetivo é reunir estudiosas e admiradoras da cerveja com a finalidade de promover e estimular a cultura e o hábito da sua degustação – o que é muito diferente do consumo desenfreado da bebida”, explica Juliana.

No ano passado, a Confece iniciou a produção de sua primeira cerveja, a Conceição, elaborada e orientada pelo mestre cervejeiro Marco Falcone e assessorada pelo cervejeiro Sérgio Lima Santos. “O nome forte faz referência a uma cerveja consistente e de grande personalidade. Dar o nome de uma mulher à cerveja é também uma forma de homenagear as primeiras produtoras da bebida”, completa Juliana.