Cozinha moderna

08/02/2010 - 12:00

Autor: Andréa Kalil
Andréa Kalil Andréa Kalil Crédito: Divulgação

Sempre fui adepta das artes marciais. Admiro a disciplina, a velocidade e criatividade superando a força entre outras coisas. Se houver uma tradução de kung Fu pode-se dizer tempo de habilidade. E nisto vejo um paralelo com a cozinha.

Cozinha também se pauta na prática, na repetição, no exercício. Curioso quando a gente vai à casa da avó. Aquele bife não tem igual e o pudim que ela faz? A mãe utiliza a mesma receita, mas o resultado ainda não é igual. A diferença está no tempo de prática, por isto o macarrão da “Nona” é sempre o mais gostoso.

Claro que estas regras valem para quem faz tudo com aquela pitada de amor.
O que move o cozinheiro é o entusiasmo. É ver o resultado na voracidade das pessoas, na alegria de se degustar um prato, nos gemidos e hummmms que saem junto com o perfume da comida.

Mas, e o fogão de indução?

Bom, nesse aí a vovó pode por tudo a perder. É que sem a panela adequada ele nem chega a funcionar. O fogão por indução eletromagnética não se aquece. Não há contato direto entre a fonte geradora de eletricidade e o objeto que está sendo aquecido. Uma bobina é excitada em uma freqüência específica gerando correntes induzidas em qualquer objeto de metal que seja colocado sobre ele. O interessante é que a superfície do fogão não se aquece, apenas a panela, tornando seu funcionamento muito mais seguro. Como não tem chama, também não suja o fundo da panela, não gera fumaça, aproveita melhor a energia tornando-se mais rápido e eliminando desperdícios.

Se a vovó usar uma panela de barro, de pedra, de alumínio sobre a indução ele nem chega a funcionar. É necessário que a panela seja de ferro ou aço. O melhor teste para saber se a panela é adequada é testar com um imã, se grudar funciona!

Portanto os cozinheiros de hoje tem que estar antenados com as novidades, tecnologias ou podem nem conseguir fazer funcionar um simples fogão!

Andréa Kalil é Gestora de e-commerce da Tool Box

 

Colecionador de frutas
Saputá por Helton Josué Teodoro Muniz

Saputá é um dos nomes estranhos que mais me deixaram intrigado. Essa curiosidade foi esclarecida por pescadores de Campina do Monte Alegre, em São Paulo. Me explicaram que tratava-se do nome de um fruto amarelo que dava num cipó na beira do rio. Esse nome “Saputá” foi um tanto inspirador para mim. Eu nada sabia de frutas e por causa desse nome fiquei curioso e fui pesquisar num dicionário e descobri então que o palavra Saputá é empregada pelos indígenas para diversas plantas nativas do Brasil.

Foi no ano de 1998 que deixei de ser cego para o tema e depois uma breve olhada no dicionário, fiquei perplexo ao ler pela primeira vez diversos e curiosos nomes de frutas nativas do Brasil. A partir daí comecei a cultivar toda fruta nativa que encontrava, mesmo sem saber o nome.
Em 2001 o nome inspirador Saputá foi homenageado ao nomear o meu “Viveiro de mudas Saputá”, o único do Brasil especializado em produção de frutas nativas e raras.

O nome Saputá tem um significado especial – vem do tupi guarani ISSIPÓ-UTÁ e significa “Cipó frutífero que se apóia e sobe”. É por isso que o Viveiro de mudas Saputá foi se desenvolvendo e crescendo até dar origem em 2005 ao “Projeto Colecionando Frutas” e ao lançamento da obra “Colecionando frutas volume 1”. Por causa do Saputá hoje tenho um banco genético onde preservo mais de 860 espécies de frutas nativas.

O Saputá é muito importante e faz parte da história do Rio Tieté. Em 1792, no livro “Noticias da Capitania de São Paulo”, Francisco de Oliveira Barbosa relata que: {...} produzem as margens d’este rio {Tietê} muitas frutas silvestres de que se utilizam os navegantes, cujos nomes são os seguintes: Marmeladas, jabuticabas, Uvacuparis, Nhandipapos, ‘Sipotas’, Jatahis; d’estes paus se servem os moradores para fabricas dos engenhos de assucar e aguardentes {...}”.

O Saputá é uma trepadeira vigorosa com ramos cujos ponteiros se enrolam em qualquer suporte que encontram e se desenvolvem sobre arvores até atingir suas copas até dez ou mais metros de altura. A polpa é adocicada, saborosa e refrescante, ideal para consumo in-natura.

As sementes podem ser consumidas como amendoim torrado e apresenta bom sabor. Na floresta, os frutos são rica fonte de alimento para macacos, quatis, pacas, esquilos e cutias; além das araras, jacutingas e tucanos que ajudam a dispersar as sementes.

Caso alguém queira cultivar o Saputá é só entrar em contato
www.colecionandofrutas.org
Tel.: (0xx15) 8132 5140

Helton Josué Teodoro Muniz - Colecionador de frutas exóticas

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