Mercados e feiras

18/12/2009 - 12:00

Autor: Gourmet Virtual
Mercados e feiras Mercado de São Paulo Crédito Cyro José

Tão antigos quanto à própria humanidade, os mercados e as feiras são uma expressão da necessidade humana em atender suas carências básicas para garantir sua própria existência. A vinculação dos mercados e das feiras com a condição humana é tamanha que não seria exagerado definir como viscerais os laços que asseguram à perpetuação de ambas as partes. São laços indissociáveis e fonte inesgotável de novos conhecimentos e saberes populares.

Os mercados e as feiras são de um tempo que o dinheiro ainda nem existia e a obtenção de produtos se dava por meio da troca: aqueles que tinham determinados produtos em abundância os trocavam por aqueles produtos que lhes faltavam. A comercialização de troca existia também em sociedades de subsistência, onde se produzia apenas para o próprio consumo, mas que necessitava de produtos complementares.

Os mercados, naquela época, eram menores e tinham por objetivo de atender às comunidades locais, explica a historiadora Ana Raquel Rasshider. Enquanto que, as feiras, diz ela, movimentavam maiores quantidades e comercializavam uma grande diversidade de produtos. Porém, o tempo passou e acabou provocando a inversão desse conceito. Isto porque, argumenta, as feiras atualmente ocupam espaços menores, instalando-se em ruas de bairros populares. Os mercados, por sua vez, se expandiram, assumindo proporções globalizadas.

Segundo a historiadora, desde sempre, o interesse por produtos vindos do exterior constituía um importante fator para formação dos mercados e feiras. Isso porque, os tecidos finos, as jóias e os perfumes eram considerados como sinônimos de status. No setor de alimentação, essa representação era exercida pelas especiarias, “que vinham de vários lugares do mundo”, acrescenta ela.

Mercados Centrais

Os mercados localizados nas capitais do país, geralmente identificados como Mercados Centrais, ocupam lugar de destaque dentre o mobiliário urbano como ponto de referência da cultura local. Por isso mesmo são considerados como atração turística de fundamental importância nessas localidades.

Segundo a turismóloga Gabriela Furtado, os mercados são importantes para a divulgação dos produtos locais, “como um meio cultural de mostrar o que a cidade tem de melhor”. A advogada Ana Luiza Cainero compartilha dessa opinião e afirma ter o hábito de frequentar os mercados dos lugares onde visita. “É uma forma de conhecer um pouco mais o lugar e a cultura do povo desse lugar. Além de ser também um celeiro de lembrancinhas para presentear os amigos”, diz ela.

Livros

Por serem uma boa representação da cultura local, os mercados, tanto pela diversidade de produtos, pela comida típica e também pela multiplicidade de cores de suas lojas e barracas, sempre despertam a atenção, o interesse e olhares de seus frequentadores. Tudo isso acaba tornando os mercados ambientes sugestivos para a expressão artística por diferentes focos, seja através de registro fotográfico, pesquisa gastronômica ou publicação de livros. Os Mercados e feiras são temas que sempre rendem boas histórias.

A gastrônoma Ana Claudia Frazão, por exemplo, é autora do livro “Comedoria Popular – receitas, feiras e mercados do Recife”. O livro contempla receitas, dicas e características históricas do lugar. Através do seu trabalho, Ana procura materializar a idéia de que “Recife é destaque no cenário gastronômico do país e foi escolhido como primeiro laboratório, especificamente por seus emblemáticos e pitorescos mercados públicos e feiras livres”.

“Mercados do Brasil – de norte a sul” é o título do livro que o fotógrafo Cyro José está finalizando depois de coletar imagens dos mercados centrais de algumas das principais cidades do País. A ideia de retratar através da lente e da paixão cenas cotidianas dos principais mercados do País, nasceu há oito anos e o trabalho já se encontra em fase de produção, aguçando ainda mais o entusiasmo do autor. “É um sonho antigo e que falta pouco para ser realizado”, comemora o fotógrafo.

Outro livro lançado recentemente foi o “Água na Boca”, que reúne 60 receitas de permissionários do Mercado Municipal de São Paulo e testadas por 10 chefs de cozinha da Federação Italiana de Chefs no Brasil. As imagens sensíveis e bem cuidadas do “Água na Boca são da fotógrafa gastronômica Luna Garcia.

O Mercado Central de Belo Horizonte, que comemorou seus 80 anos de funcionamento em setembro último, também foi tema de uma publicação. “Mercado Central de Belo Horizonte - Um quarteirão cheio de histórias” é o título do livro de Leonardo Sousa, com a colaboração de Luana Carvalho e fotografias de Marcelo Andrê e Miguel Aun.

Segundo o autor, o livro tem como objetivo principal mostrar como é o Mercado Central da capital mineira, quais as histórias e causos que ele guarda. “O mercado é assim, de todo mundo e de tudo um pouco, tem história que não acaba mais e que precisa ser cada vez mais contada, pois são parte da própria história de Belo Horizonte”, conclui Sousa.

Mercados pelo mundo

O blog Rainhas do Lar lançou uma campanha para receber fotos de mercados e feiras de todo o mundo. A idéia surgiu depois de receber de uma leitora fotografias de feiras visitadas por ela numa viagem de férias. Faby Zanelati, que divide a autoria do blog com Kátia Najara, conta que perceberam como poderia ser interessante receber outras fotos, de outros lugares, já que o blog tem leitores em vários cantos do mundo. Dessa forma, os leitores teriam a chance de viajar com o Rainhas do Lar pelos mercados e feiras, conhecendo a diversidade de cada país, de cada região, tudo mostrado pela ótica dos próprios leitores.

Faby revela que a resposta não poderia ter sido melhor. “Recebemos dezenas de e-mails e já temos cerca de 50 feiras para serem publicadas. E não param de chegar novas fotos”. Ela destaca, ainda, que poucas coisas podem dizer mais sobre um povo, sobre um lugar, do que seus mercados e feiras. “São os lugares que eu mais gosto de conhecer quando viajo”. Das fotos que o blog recebeu, Faby destaca algumas, como as de Jerusalém, Índia, República Tcheca e várias da França, “que arrasa no glamour, vendendo scargots e foie gras - très chic!” No Brasil, a maioria das fotos são de Minas Gerais, principalmente do Mercado Central de BH.

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