Tecnologia, lazer e sustentabilidade na produção de cachaça

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Cachaça Vale Verde

Por Marina Albano

A boa e velha cachaça deixou de ser uma bebida sem valor. Hoje ela é apreciada e tem admiradores e colecionadores pelo mundo inteiro. Uma boa produção de cachaça engloba três princípios: o artesanal, o tradicional e o sustentável. E ainda tem como base técnicas de fermentação e destilação de primeiro mundo.

Um exemplo mineiro desse novo mercado da cachaça começou de um passatempo iniciado na década de 1980, em uma fazenda localizada em Betim. A Vale Verde Alambique e Parque Ecológico, fundada pelo empresário Luiz Otávio Pôssas Gonçalves, faturou R$ 2,5 milhões em 2009, foi eleita pela Playboy como a melhor cachaça do País e neste ano comemora 25 anos de mercado. Pôssas conta que estudou muito as cachaças artesanais para a produção da Vale Verde e aliou seu conhecimento sobre bebidas, adquiridas em pesquisa para a produção da cerveja Kaiser, a investimentos em tecnologia. “Fizemos isso ao querer comparar a simples cachaça com as grandes bebidas da Europa. Nós somos pioneiros em fabricar cachaça com tecnologia de primeiro mundo”.

Para a produção da cachaça, o princípio artesanal diz respeito ao uso de alambiques de cobre para a fabricação da bebida. Já o modo sustentável implica no fato de que todos os resíduos gerados são reutilizados na linha de produção para a própria fabricação, o que dá à marca o conceito de Produção Mais Limpa.

A Vale Verde Alambique e Parque Ecológico é aberto a visitações. O Parque Ecológico foi criado a partir de todo lucro adquirido com a venda da cachaça e que, inclusive, abriga o Alambique da Vale Verde. Além de poder acompanhar todo o processo de produção sustentável, os visitantes podem conhecer o Museu da Cachaça, com mais de 1500 exemplares de diferentes marcas e uma coleção de cachaças com histórias curiosas.

Entre elas, a cachaça Pelé Caninha, dedicada ao Pelé pela conquista da Copa de 1958, porém, retirada do mercado, pois o ex-jogador não gostou da homenagem ao ter seu nome vinculado a uma bebida alcoólica. Uma ação judicial retirou todas as garrafas de circulação, sobrando apenas cinco exemplares.Uma delas pode ser vista no Museu da Cachaça, no Vale Verde.

Os visitantes do Museu são convidados a fazer uma viagem no tempo pelos painéis que ilustram a história da bebida, desde os primeiros relatos no Egito Antigo até os dias de hoje. A Cachaça Chipanzé, de 1935, é a mais antiga exposta no local. Entretanto, o gerente do Vale Verde, Rafael Horta afirma que “antigamente não era exigido colocar a data de fabricação no produto, então, não temos as datas de todas”. As cachaças com nomes curiosos, segundo Rafael, costumam despertar ainda mais a atenção do público, como a “Consolo de Corno” e “Amansa Sogra”.

No Museu da Cachaça também podem ser encontrados alambiques de cerâmica e de pedra sabão, “enchedora” de garrafa, “tampadora”, engenho manual, picadora de cana, dentre outras peças utilizadas na produção da cachaça.

Os visitantes podem conhecer o restaurante Vale Verde Alambique e o Parque Ecológico durante a visita. No cardápio, a cachaça é utilizada não só nos coquetéis e licores para abrir o apetite, como também nos pratos principais e também nas sobremesas.

A paixão que os brasileiros tem pela cachaça, passou de restrita às senzalas na época da colonização ao titulo de destilado mais consumido no Brasil e o terceiro no mundo, atrás somente da vodca e do uísque.

Serviço

Vale Verde Alambique e Parque Ecológico
Endereço: Rodovia MG 50, km 39 – Bairro Vianópolis
Funcionamento: 9h às 17h30 (de segunda a domingo, inclusive feriados)
Entrada de segunda à sexta: R$10,00 adultos e R$ 5,00 crianças e clientes acima de 65 anos.
Entrada aos finais de semana e feriados: R$ 15,00 adultos e R$ 7,50 crianças e clientes acima de 65 anos.
Informações: atendimento@valeverde.com.br ou 3019.9108/ 9171
Site: www.valeverde.com.br