Tsuyoshi Murakami e Rodrigo Oliveira são entrevistados em Tiradentes

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Tsuyoshi Murakami e Rodrigo Oliveira são entrevistados em Tiradentes

Tsuyoshi Murakami e sua equipe em Tiradentes

Assim como na cozinha, onde chefs e assistentes tem que dividir o mesmo espaço, a entrevista desse mês teve que ser ceder lugar a dois nomes que passaram por Tiradentes e encantaram a cidade com sabor e simpatia.
Um é natural do Japão e paulistano de coração, já o outro, é um paulistano com raízes pernambucanas. Chefs reconhecidos no Brasil e exterior, ambos acreditam e fazem gastronomia por paixão.
Tsuyoshi Murakami e Rodrigo Oliveira, esses são os entrevistas do Gourmet especial de Tiradentes. Eles contam sobre a participação no festival e a relação com a gastronomia.

É a primeira vez que participa do Festival em Tiradentes?
Murakami – É a segunda vez que participo, a primeira foi em 2001. E só agora, depois de 8 anos é que volta ao evento.
Rodrigo – Foi a primeira vez que estive em Tiradentes. Além de o festival ser de alto nível, a cidade é extraordinária. Pode até parecer clichê, mas a hospitalidade mineira é encantadora.

Como foi participar dessa edição?
Murakami – Como fiquei algum tempo sem participar, senti uma grande diferença. A logística, a central, enfim, toda a organização estava excelente. É também uma honra muito grande, pois entre vários chefs internacionais, eu era um representando restaurantes do Brasil.
Rodrigo – Cozinhei em dois momentos diferentes no festival: um almoço na praça e um jantar para um grupo exclusivo de pessoas. Nos dois momentos, foi uma grande honra participar.

Em Tiradentes, teve a oportunidade de experimenta a culinária local?
Murakami – Provei um leitão a pururuca, muito bom. E pude experimentar uma cozinha maravilhosa, do restaurante Dona Xepa. Quando chegamos ao lugar, a cozinha já estava fechada e Dona Constance foi para o fogão preparar nossa refeição. Ela é uma mistura de Dona Benta e Tia Nastácia, gostei muito. Fui mais de uma vez, quando não estava nos festins ia comer lá.
Rodrigo – Meu tempo foi muito corrido no festival, não deu para ir a um lugar específico. O que me encantou, mais uma vez, na culinária mineira foi o café da manhã, cheio de quitutes e coisas típicas.

Como analisa a importância desses festivais, em especial o de Tiradentes, para a valorização da gastronomia brasileira?
Murakami – A cozinha brasileira é muito criativa e vejo nos festivais uma oportunidade para esse encontro. Além disso, para os chefs, é sempre uma troca. Reencontrei no Festival de Gramado, recentemente, alguns que também participaram em Tiradentes, isso é muito bom.
Rodrigo – A presença de chefs internacionais é uma oportunidade de mostrar o tamanho da nossa cozinha, que é muito especial. São chefs regionais cozinhando ao lado de chefs estrelados, assim, podemos mostrar nossos ingredientes e nossos temperos. A diversidade da cozinha brasileira é grande, é a cultura de um povo, que só pode ser valorizada se estendida às cozinhas regionais.

Para finalizar, o que te emociona na cozinha?
Murakami – Cozinhar é se soltar, é realmente arregaçar os sabores, é ser livre.
Rodrigo – O que me inspira na cozinha é o produto, seja ele qual for, tudo deve estar em torno dele. Às vezes, a vaidade ofusca o produto, que deve ser o principal na cozinha.