12.04.2011

Cultura e tradição do tropeiro


Cultura e tradição do tropeiro

Por Daniel Ottoni

O termo tropeiro vai muito além do típico prato mineiro, que encanta visitantes dentro e fora do Brasil e deixa qualquer um com água na boca. Na verdade, o que existe hoje, é fruto de uma história secular, datada de fins do século XVII.

Em um período bem anterior às estradas de ferro e rodovias, no qual a possibilidade de rotas por rios ou outras águas era quase nula, o transporte e comércio de mercadorias era feito pelos tropeiros. Assim eram chamados os integrantes das tropas ou comitivas, que eram formadas por mulas, as grandes responsáveis pelo trabalho mais pesado dessas viagens que duravam meses.

A alimentação nesses trajetos precisava ser rica e substancial, mas como as viagens eram longas, não poderiam utilizar qualquer tipo de ingrediente. Assim, surgiu o famoso Feijão Tropeiro, composto por alimentos não perecíveis e com rico valor nutricional. Uma receita simples, que continha feijão misturado a farinha de mandioca, torresmo, lingüiça, ovos, alho, cebola e temperos.

Na cidade histórica de Tiradentes, vive Gilson Costa, 47 anos, descendente de uma família de tropeiros. Dentro de sua casa, ele mantém objetos que foram utilizados há muitas décadas por familiares integrantes das comitivas. “Não tenho nem ideia de quantos objetos tenho aqui. Meu maior desejo é manter a tradição”, conta. Além da sala, que comporta carros de bois, selas e caixotes, onde eram transportados cascalho e areia, Gilson guarda em seu quarto estribos, chapéus, chicotes e o seu objeto favorito, o cicêrro, com seus sinos estridentes. “O cicêrro ficava pendurado no pescoço da madrinha, que era a mula mais importante da tropa, pois ficava na frente de todas as outras. Quando ela chegava à cidade, todos sabiam que a tropa se aproximava”, conta com orgulho o neto de carreiro (responsável por guiar os carros de bois).

Gilson explica que Tiradentes foi construída praticamente com serviço integral dos tropeiros e que a cidade de Tiradentes ainda conta com três ou quatro integrantes de tropas que percorreram algumas cidades brasileiras. Ele revela que sua maior vontade é fazer um museu com tudo o que possui.

Dona  Margarida Costa, mãe de Gílson e também descendente de tropeiros, se recorda de algumas histórias de quando era jovem. “Lembro do meu pai receber algumas tropas, que passavam a noite no terreno em que morávamos. A gente saía de dentro de casa para comer no acampamento deles, onde a comida era muito boa e diversa”, lembra a senhora. Ela enfatiza o capricho dos tropeiros, “eles lustravam muito bem os estribos e outros acessórios para o pessoal já ver de longe quando a tropa chegava”.

Um outro fator de importância é a festa que acontece em Tiradentes, todos os anos, no início do mês de outubro. Durante a festa, verdadeiras carreatas saem pela cidade, da mesma forma como acontecia há tantos anos. Mulas enfeitadas, aquele capricho na madrinha e o passeio pela cidade, mostrando aos nativos e turistas como era feita a principal forma de transporte no período. “O pessoal fica maravilhado”, conta Dona Margarida. Nunca é demais preservar uma tradição, que já foi modo de vida e sobrevivência para muitas pessoas, que tiveram uma vida sofrida. Hoje, são considerados pelos familiares como verdadeiros heróis.

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