Por Daniel Ottoni
Pessoas de idades e classes sociais diversas, a diabetes atinge hoje 18 milhões de brasileiros, cerca de 8% da população do nosso país. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o número de portadores da diabetes no Brasil vai ultrapassar os 11 milhões até 2030. Um aumento de quase 150% se comparado com o número do ano 2000, que era de 4,6 milhões. Normalmente ligada à países ricos, a doença agora aparece em países em desenvolvi-mento, devido à maus hábitos, como sedentarismo e alimentação longe da ideal.
“A diabetes se caracteriza pela deficiência de insulina no organismo. Ela é responsável pelo transporte da glicose do sangue para dentro das células, gerando energia. Uma vez que a insulina não cumpre este papel, a glicose se concentra no sangue, provocando a hiperglicemia”, explica a endocri-nologista Adriana Bosco.
Ela explica que há dois tipo de diabetes. “A identificada como tipo 1 se refere à deficiência absoluta de produção de insulina pelo pâncreas. Já a diabetes tipo 2, se relaciona normalmente com obesidade, estilo de vida inadequado e hereditariedade. Neste caso, se trata de uma doença previsível, onde os cuidados podem ser tomados ainda na infância”, explica.
Adriana faz um importante alerta. “Uma alimentação saudável e balanceada (sempre contendo carboidratos, proteínas e fibras), com pouca gordura, aliada à exercícios físicos, deveria ser seguida por nós, desde sempre, e não somente quando um problema de saúde é detectado”.
Para os que têm parentes próximos com a doença, o risco existe, uma vez que a hereditariedade está diretamente relacionada ao diagnóstico. E para os que não possuem casos na família, nunca é demais realizar um controle da alimentação, sem excessos e procurando preservar a saúde, com exercícios físicos e o consumo de alimentos sempre recomendados, como saladas, legumes e verduras.
Ao contrário do que muitos pensam, a diabetes não causa grandes transtornos alimentares aos portadores da doença. “Para eles, a alimentação de três em três horas é primordial. As combinações nutricionais devem ser respeitadas, privilegiando alimentos que fazem bem em detrimento daqueles que gostamos mais”, analisa a nutricionista Marina Araújo, 27.
O engenheiro de produção Gabriel Oliveira, 24, é diabético desde os oito de idade. “Quando descobri que não poderia comer mais doces e balas, fiquei arrasado”, lembra. “A diabetes pede uma reeducação alimentar. Com as evoluções do tratamento, como novas insulinas e facilidade na medição e controle da glicose, surge uma abertura para comer esporadi-camente doces e outros alimentos mais calóricos”, conta.
Gabriel destaca a mudança alimentar pela qual passou. “Criei o hábito de comer salada e a de me alimentar de três em três horas. Tento evitar os doces e substituir os produtos normais pelos dietéticos”, pontua. Hoje, depois de tanto tempo, ele afirma preferir o sabor dos produtos destinados aos diabéticos.
A pedagoga de 44 anos Fernanda Walker também se assustou quando descobriu que era diabética. “Naquela época, com exceção das gelatinas, praticamente não existiam doces ou produtos dietéticos”, conta. A alternativa era preparar doces com produtos alternativos. “Me aventurei a fazer algumas receitas. O primeiro sucesso foi um bolo de chocolate, onde substituí a farinha tradicional por farinha de glúten. Além disso, usei o chocolate em pó sem açúcar e adoçante, diminui a quantidade de manteiga, substituindo o creme de leite pelo iogurte desnatado”, comenta a pedagoga.
O hábito deu tão certo que, durante um período, Fernanda chegou a comercializar suas produções, após fazer um curso. “A torta de maçã, a geléia de ameixa e o biscoito de amêndoa eram alguns dos que tinham uma boa saída”, mostra.
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