Paçoca de Unaí

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Paçoca de Unaí

Paçoca servida com banana

“Gosto de cozinhar. É uma paixão. A paçoca, então, faço desde os 16 anos, por amor mesmo. É um pedaço de nossa história que não podemos deixar se perder”.

É dessa forma que Crescêncio Martins Sousa, 60, um mineiro nascido no Vale do Urucuia,  vem preservando a cultura e a tradição de fazer paçoca de pilão, perpetuando um ofício que aprendeu com o pai, um autêntico tropeiro urucuiano, personagem muito presente em toda obra de Guimarães Rosa.

Crescêncio explica que a paçoca caipira é um prato típico das tropas e cavalgadas, por ser fácil de ser transportada e pouco perecível. “A paçoca caipira é um alimento muito nutritivo e que sustenta os longos dias de viagem.”

Atualmente Crescêncio prepara a paçoca para amigos e para sua numerosa família: 23 irmãos. Segundo ele, dificilmente fica uma semana sem fazer a receita. E ele não cobra nada pelo serviço, é só combinar o dia, levar o material e pronto: dá-lhe paçoca.

A receita costuma variar de região, mas basicamente é feita com carne de boi, bacon, torresmo, farinha de mandioca, pimenta e sal. O modo de preparo é simples: paixão pela paçoca, força no braço e vinte e cinco minutos de pilão. É uma comida artesanal do começo ao fim. O acompanhamento do prato é tradicionalmente acompanhado por arroz branco e banana, diz ele.

Crescêncio ressalta ainda o valor cultural desse prato que precisa ser preservado. A cultura da paçoca nessa família, não se perderá no famoso pilão de Crescêncio. O instrumento de trabalho, que foi esculpido por ele em madeira aroeira, já está sendo “pilado” pelo filho, que vem aprendendo com o pai a cultura e a tradição do preparo de uma verdadeira paçoca caipira, ou paçoca de pilão.