O simbólico pão

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O simbólico pão

Cesta de pães

Pão. Um alimento tradicional, tão antigo, quanto popular. Por isso mesmo, nas festas de fim de ano é comum que as mesas natalinas reservem um lugar especial para diferentes tipos de pães. Época também mais do que apropriada para uma reflexão sobre o que representa esse alimento milenar na história da humanidade.

Segundo a professora de História, Raquel Peres, o pão surgiu na Mesopotâmia, há seis mil anos, a partir do cultivo do trigo. Como a agricultura também surgiu na Mesopotâmia, os historiadores acreditam que os primeiros pães foram produzidos por esta civilização. A base da receita do pão, na sua forma mais simples e original, é composta por farinha de trigo, água, sal e fermento.

Na mesa dos brasileiros, o pãozinho é um alimento presente, tanto para o café da manhã, quanto para os lanches da tarde. A Organização Mundial de Saúde recomenda o consumo de 60kg de pão per capita/ano. Os brasileiros consomem cerca de 27kg por ano, bem distante da média indicada pela OMS.

O pão também é considerado símbolo importante para algumas religiões que o tem, emblematicamente, como verdadeira fonte de vida, inclusive, como parte da oração. No Brasil, segundo o sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre, o pão ficou sendo conhecido no século XIX, se expandindo por meio dos imigrantes italianos.
Algumas pessoas resistem ao consumo de pão, o que é pontuado pelo nutricionista Gustavo Prata. “Toda a alimentação deve ser balanceada, em todos os tipos de nutrientes. O pão é uma boa fonte de carboidratos, que também é necessário para o bom funcionamento do corpo, contudo, deve ser equilibrado dentro da dieta de cada um”.

Há 13 anos, a bailarina Paula Bonomi montou uma padaria diferenciada em Belo Horizonte, a Casa Bonomi. Paula conta que a idéia surgiu após uma viagem a Bruxelas. “Quando decidi abrir o negócio, comecei a pesquisar sobre o assunto e buscar conhecimento de técnicas e receitas”. Atualmente, com uma brigada de dez padeiros na cozinha, Paula cuida pessoalmente da qualidade de cada produto. Além de dedicar especial atenção para os produtos típicos dos festejos natalinos, como os panetones e pães de campanha, dentre outros.

Segundo o padeiro francês Olivier Anquier, ao contrário de países com França e Itália, o Brasil não tem como cultura combinar o pão com as demais refeições, como almoço e jantar. O mesmo não ocorre nessa época do ano, quando as comemorações do Natal e Ano Novo criam espaço para produções mais tradicionais ou mesmo mais ousadas fazem parte das ceias. Para Anquier, os pães produzidos com ingredientes típicos da época, como frutas secas e cristalizadas, são sempre uma boa pedida.

O pão é um forte elemento na história da humanidade e em boa parte de diversas culturas, o que é destacado por Anquier como motivo de emoção, “é a relação que o pão tem com a história, sendo passado de geração em geração com seus valores culturais”.
No contexto histórico e cultural, bem como na hora de compor a mesa, o pão tem alguns acompanhantes fiéis: azeite, vinho e cerveja. Essas combinações são ainda mais propicias para as ceias de Fim de ano. Saboreie…

Azeite
O azeite é um alimento milenar, produzido a partir do fruto das oliveiras. A expressão azeite tem origem no nome árabe Az-zait, que significa sumo de azeitona. Fernanda Caldas, proprietária da loja especializada em azeites Spazio D’Olivo, ressalta que atualmente o azeite é utilizado basicamente como tempero e preparações na cozinha, enquanto, antigamente era empregado fortemente com atribuições medicinais.

Além dessa valorização cultural e histórica, o azeite é um ótimo acompanhamento para o pão. Para combinar os sabores, deve-se ficar atento para o tipo do pão, assim como a composição do azeite. O ideal é que os sabores não se sobreponham, evitando a confusão do paladar.

Vinho
O vinho é uma bebida que compartilha com o pão tanto a sua história como seus milenares laços culturais. Atualmente, muito se fala em harmonização com o vinho, atentando para seus tipos de uva e fabricação. Os pães estão sempre presentes como coadjuvantes, ao lado de antepastos, massas, entre outros.

Para o sommelier Renato Costa, mesmo não sendo tão comum, essa harmonização, pode surpreender os paladares. “A idéia é que o pão seja a grande estrela e os demais deem o suporte para a explosão de sabores”. O sommelier explica que a harmonização deve ser feita com base no ingrediente chave, aquele que se destaca da receita original do pão.

Cerveja
A cerveja é antiga assim como os companheiros já citados. O que poucos sabem é que em Sumério (tipo de escrita datada por cerca de 3500 a.C.) a palavra cerveja significava pão líquido. Isso porque a base de ingredientes para o preparo dos dois é semelhante. Talvez seja por essa relação que pão e cerveja combinem tão bem.

Em uma mesa de boteco, com uma cerveja gelada, lá está o pão, seja como acompanhamento ou como parte do tira-gosto servido. Para o chef consultor Otávio Luiz Horta, o pão serve como suporte para os momentos regados à cerveja. “O pão simples pode fazer a função de neutralizar o paladar, principalmente, quando se trata de uma degustação de diferentes tipos de cerveja”. O chef ressalta, ainda, que se o pão for incrementado com recheio e cobertura, não precisa de mais nada, eis o petisco completo.