Frutas da pátria amada

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Frutas da pátria amada

Seleção de cajus

Guaraná, bacuri, ingá e muito mais. Essas são algumas das muitas maravilhas que nosso País guarda nas suas matas e florestas. As frutas brasileiras são preciosidades que podem ser encontradas nas matas, cerrados e todos cantos desse Brasil. Algumas como o guaraná e açaí já são bastante populares, ao contrário do buriti e bacuri conhecidas apenas por pessoas que convivem com a fruta em seu dia a dia.

O que muitos não sabem é que, além de surpreenderem no sabor, as frutas típicas do Brasil podem surpreender também no potencial nutritivo, assim como contribui para valorização do produto nacional.

O nosso país é um verdadeiro pomar a ser desbravado, pois oferece uma variedade de frutas impressionante, cerca de trezentas já foram catalogadas. Atualmente, cerca de 70 países importam frutas brasileiras. Essa marca pode aumentar bastante e é esse o principal objetivo do projeto Brazilian Fruit.

Desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Frutas – Ibraf, em 1998, o Projeto Brazilian Fruit é conduzido pela Agencia Brasileira de Promoção e Exportação de Investimentos – Apex, que promove o setor frutífero junto a esses países e trabalha para ampliar as vendas externas. O projeto visa promover as frutas e seus derivados por meio de ações estratégicas direcionadas à todos os públicos envolvidos, desde o comprador até o consumidor final.
Para Gabriel Henrique Jardim, que atua na área de relações internacionais, as frutas importadas são bastante valorizadas no mercado interno em detrimento das frutas nacionais. Nesse sentido, ele entende que “as políticas de valorização das frutas brasileiras devem abranger não só a exportação, mas deve conquistar inicialmente a própria população brasileira”, diz.

Já o nutricionista Daniel Caldeira, analisa o mundo das frutas sob outra perspectiva e defende o consumo de frutas como uma importante estratégia para alimentação saudável com a valorização desses produtos regionais. “A promoção da vida saudável com o consumo de frutas ajuda e contribui muito para a qualidade de vida das pessoas e comunidades. Para isso, nada melhor do que uma fruta que está no pomar, bem perto, basta esticar as mãos, colher e saborear”, acrescenta.

A nutricionista Etienne Ramírez também defende uma política de melhor aproveitamento das frutas como complemento alimentar. Ela ressalta que uma ação interessante seria aperfeiçoar a educação nutricional nas escolas, mediante disponibilização de recursos para a compra de frutas, como acontece em alguns países. “Acredito que seria uma medida preventiva de saúde pública, já que auxiliaria na prevenção das doenças que mais matam atualmente no Brasil, como as cardiovasculares”, comenta.

As frutas nativas surgem geralmente pela ação única da natureza, em matas, cerrados e demais ambientes rurais. Contudo, tais produtos já são produzidos por agricultores e empresários. Algumas já são muito conhecidas fora do país, como o guaraná, caju e açaí.
Encontrar uma iguaria dessas fora de seu habitat natural não é tarefa fácil, isso porque a produção e o mercado são restritos. O Chef Eudes Assis revela ter uma relação especial com as frutas, “gosto de comer as frutas naturais e também de prepará-las na minha cozinha, em casa e no restaurante. Alguns chefs chamam essa tendência  de comfort food,  o alimento  emocional  que desperta sensações agradáveis e evoca o prazer e o bem-estar ligado à infância e à história de vida”.

Essas frutas podem revelar grande potencial como ingrediente, pois há muito a ser explorado. Tal linha de pensamento é adotada pelo personal chef Ricardo Amarantto, que se surpreende a cada aventura com frutas nativas. “Mesmo que o resultado nem sempre seja feliz, o que acontece muitas vezes, a descoberta vale à pena. É um laboratório, você testa até encontrar a melhor aplicação do produto”. Amarantto conta, ainda, que sua maior surpresa foi com o buriti. “Já tinha ouvido falar do buriti, mas não imagina que era tão maravilhoso”, conclui.

Como as frutas brasileiras são muitas, seria impossível falar de todas, mas também não poderíamos deixar de homenagear algumas. Então, para quem já as conhece é bom revê-las. E aos que ainda não foram apresentados, muito prazer!

Abricó – Também conhecido como abricó do Pará, é cultivada principalmente na região Amazônica. Os frutos podem chegar até um quilo, tem a casca grossa e rugosa e a polpa firme, de sabor levemente adocicado.
Açaí – É o fruto de uma palmeira nativa das regiões do norte e nordeste. É conhecido nacionalmente e bastante consumido, principalmente, pelo seu alto valor calórico e energético.
Caju – Uma curiosidade do caju, é que o fruto é a castanha e não a parte da polpa, como muitos pensam.
Bacuri – Existem vários tipos de bacuri, o que mostramos aqui é o bacuri cultivado na região amazônica. O fruto tem a polpa firme e um sabor doce-acidulado.
Buriti – Assim como o açaí, é o fruto de uma palmeira. Os frutos são muito consumidos para doces e cremes.
Ingá – Presente do Nordeste ao Sudeste é uma espiga que tem suas sementes envoltas pela polpa, com sabor doce e agradável.
Jambo – Característico de lugares tropicais, a árvore é conhecida por fornecer sombra. O fruto é carnudo e tem sabor adocicado quando maduro.
Guaraná – Tema de capa da revista, o guaraná representa muito bem o Brasil, se tornando conhecida mundialmente.

Fruti Cultura
Do Abiu até a Uvaia temos muitos aromas e sabores que são vitaminas naturais, que nos fazem acreditar que Deus existe. Com as raízes atoladas na areia da praia, onde sua fonte hídrica são as águas salgadas do mar, encontra-se em seu topo, para ninguém colocar defeitos, uma jarra verde com água doce de coco, que trata a alma de todo jangadeiro que retorna das grandes aventuras que o oceano lhes oferece.

Nenhum ser humano conseguiu jamais criar embalagens tão perfeitas e atrativas que o marketing da natureza nos oferece. Os frutos, que são o produto comestível das árvores frutíferas, mães maravilhosas que oferecem aos pássaros e milhares de outros animais a possibilidade de nos alimentarmos, fazer diferentes tipos de chás de suas folhas e flores e mais do que tudo isso, realizam a fotossíntese, principal processo do planeta que transforma a luz do sol em carne. No Brasil, temos mais de 300 frutos nacionais, mas se formos entrar na Amazônia, esse número com certeza irá duplicar.

Gostaria de dar novo viés à nossas conversa sobre as frutas, pois existem trabalhos socioambientais que estão sendo realizados e trazem a importância desse produto para dentro das comunidades brasileiras.

Junto com a Fruit Tree Planting Foundation e os Partners of the Americas, estamos implantando o projeto “Fruti Cultura”, isto é, cultura das frutas, nas escolas públicas do país. Esse projeto iniciou-se no em 2008, sendo implantadas árvores frutíferas em dez escolas públicas, cinco no estado de São Paulo e cinco na Bahia.

O interessante desse projeto é que não só as crianças aprendem sobre a importância das frutas, mas também a comunidade do entorno, que são as famílias dessas crianças. Nesse ano, gostaríamos de envolver as grandes empresas que lidam com frutos para participarem do projeto.

Vocês podem imaginar a importância de uma jabuticabeira, um pé de açaí, de goiaba, abiu ou pitangueira plantados numa escola pública? Porque não em todas as escolas?

Ciro Guilherme Gentil Croce
Engenheiro Florestal
Doutorando no Departamento de Recursos Naturais da UNESP