O saputá

0
Coluna de  Helton Josué Teodoro Muniz

Saputá

Saputá é um dos nomes estranhos que mais me deixaram intrigado. Essa curiosidade foi esclarecida por pescadores de Campina do Monte Alegre, em São Paulo. Me explicaram que tratava-se do nome de um fruto amarelo que dava num cipó na beira do rio. Esse nome “Saputá” foi um tanto inspirador para mim. Eu nada sabia de frutas e por causa desse nome fiquei curioso e fui pesquisar num dicionário e descobri então que o palavra Saputá é empregada pelos indígenas para diversas plantas nativas do Brasil.

Foi no ano de 1998 que deixei de ser cego para o tema e depois uma breve olhada no dicionário, fiquei perplexo ao ler pela primeira vez diversos e curiosos nomes de frutas nativas do Brasil. A partir daí comecei a cultivar toda fruta nativa que encontrava, mesmo sem saber o nome.

Em 2001 o nome inspirador Saputá foi homenageado ao nomear o meu “Viveiro de mudas Saputá”, o único do Brasil especializado em produção de frutas nativas e raras.
O nome Saputá tem um significado especial – vem do tupi guarani ISSIPÓ-UTÁ e significa “Cipó frutífero que se apóia e sobe”. É por isso que o Viveiro de mudas Saputá foi se desenvolvendo e crescendo até dar origem em 2005 ao “Projeto Colecionando Frutas” e ao lançamento da obra “Colecionando frutas volume 1”. Por causa do Saputá hoje tenho um banco genético onde preservo mais de 860 espécies de frutas nativas.

O Saputá é muito importante e faz parte da história do Rio Tieté. Em 1792, no livro “Noticias da Capitania de São Paulo”, Francisco de Oliveira Barbosa relata que: {…} produzem as margens d’este rio {Tietê} muitas frutas silvestres de que se utilizam os navegantes, cujos nomes são os seguintes: Marmeladas, jabuticabas, Uvacuparis, Nhandipapos, ‘Sipotas’, Jatahis; d’estes paus se servem os moradores para fabricas dos engenhos de assucar e aguardentes {…}”.

O Saputá é uma trepadeira vigorosa com ramos cujos ponteiros se enrolam em qualquer suporte que encontram e se desenvolvem sobre arvores até atingir suas copas até dez ou mais metros de altura. A polpa é adocicada, saborosa e refrescante, ideal para consumo in-natura.

As sementes podem ser consumidas como amendoim torrado e apresenta bom sabor. Na floresta, os frutos são rica fonte de alimento para macacos, quatis, pacas, esquilos e cutias; além das araras, jacutingas e tucanos que ajudam a dispersar as sementes.

Caso alguém queira cultivar o Saputá é só entrar em contato
www.colecionandofrutas.org
Tel.: (0xx15) 8132 5140

Helton Josué Teodoro Muniz – Colecionador de frutas exóticas